sexta-feira, 9 de março de 2012

[9 DE MARÇO] Dia internacional do DJ



Após um bom tempo sem escrever meus textos, estou aqui novamente, para  lembrar que hoje, 09 de março, é o dia internacional do DJ. Uma data a ser comemorada e celebrada em todas as pistas de dança do planeta, pelo menos é isto que nós Disc Jockeys, e o público, um dia chamados de clubbers, hoje baladeiros, esperamos, tendo em vista a quantidade de night clubs, festas e eventos gigantescos criados no decorrer desses 50 anos de existência da profissão, que por incrível que pareça, ainda não reconhecida oficialmente no Brasil. 

O termo Dee Jay surgiu nos anos 50, nos Estados Unidos, dando nome aos profissionais do rádio que selecionavam as músicas que seriam tocadas. Nos anos 70, eles saíram das rádios e foram para as pistas das discotecas. Nessa época já se utilizada da técnica oriunda do dub, vertente do reggae, herdada dos imigrantes jamaicanos, que cortavam manualmente o trecho da música no deck de rolo de fita e colavam fazendo assim suas versões musicais que até hoje chamamos de samplear e remixar.

Um desses jamaicanos foi o DJ Kool Herc, criador do hip hop e do elemento b-boy e b-girl nessa cultura, sendo o primeiro a utilizar duas turntables (toca-discos) e um mixer reproduzindo duas cópias do mesmo disco para extender o break, assim ele conseguia marcar pontos para virada e facilitava também a vida de seus dançarinos . Com a prática e treinos, as técnicas começaram a surgir, e uma delas, o scratch foi criada por um de seus discípulos, o DJ Grand Wizzard Theodore. A popularização da música negra, na época chamada de funky, soul e r&b, bastante difundida e já utilizando a arte de mixar os breakbeats com o elemento DJing através dos DJs Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa, saiu dos ghetos do Bronx e chegou nas primeiras discotecas de Nova York. 

Notáveis DJs incluíam Jim Burgess, Walter Gibbons, Francis Grasso (Sanctuary), Larry Levan (Paradise Garage), Ian Levine (Heaven), David Mancuso (The Loft), Tom Moulton e Bert Bevans (Studio 54) já bombavam as dancefloor das melhores casas noturnas americanas e popularizavam ainda mais a profissão, fazendo cada vez mais, no meio do glamour e do boom da disco music, a figura do DJ ser a atração principal da noite. 

Antes mesmo de Tiesto ganhar o mundo e popularizar de vez a figura do DJ como um showman, sendo o primeiro a tocar na abertura de uma olimpíada (Atenas 2004), evento transmitido para vários países de todos os continentes, outros DJs já eram celebridades e pioneiros em seus estilos e na arte de mixar, mestres como Frankie Knuckles, Kevin Saunderson, Derrick May, Juan Atkins, Jeff Mills, Laurent Garnier, Sven Vath, Paul Oakenfold e Carl Cox, são algumas das minhas referências. 

No Brasil, o primeiro “discotecário” oficial foi o Sr. Oswaldo Pereira, que animava os bailes dos anos 50, utilizando apenas um toca-discos. Na década de 70, os DJs/radialistas Big Boy e Ademir, apesar de pouca técnica, sabiam bombar as pistas cariocas, sempre utilizavam o microfone para interagir com o público. Quem realmente chamou a atenção no Rio de Janeiro na época pelas mixagens precisas foi o DJ Ricardo Lamounier, e na mesma época em São Paulo, o DJ Grego já mixava um disco com outro sem pausa. Outros nomes de destaque para a evolução do DJ no Brasil foram Monsieur Limá, Braguinha e a primeira DJane nacional, Sônia Abreu. 

Seria injustiça da minha parte, na era da beleza, marketing e money, da massificação de todos nós na figura de David Guetta e no auge da geração Jesus Luz e ex-Big Brothers, não citar mitos da discotecagem como Marqinhos MS, Julinho Mazzei, Marlboro, Iraí Campos, Ricardo Guedes, Cuca, Sylvio Miller, Marky, Murphy, Andy, Patife, Mau Mau, Renato Lopes, DJ Craze, Mix Master Mike, Q-Bert, Kentaro, Andy C, DJ Hype, Friction, Fatboy Slim, entre vários e vários outros.

 O meu salve especial vai para os amigos e colegas que mantém a chama da nossa profissão acesa, DJs Villarim, Paulinho Cunha, Uel, Mauro, Nando Du B, Mostarda, AJ Perez, Nedu Lopes, Thales Hill, Bruno Martins, Guirraiz, Henrique Carvalho, Rods, Dal, Chris DB, Sonick, Marquinhos Espinosa,Lui J, Poeck, Gerson Freitas,Karlinhos, todos DJs do coletivo Pragatecno, aos meus alunos e tantos outros, me desculpem os esqueci no momento, que ao longo desses anos me fazem acreditar na profissão que amo, me faz feliz, que paga as minhas contas, que é um estilo de vida para quem ouve e quem toca.

Vamos nos valorizar para sempre sermos valorizados, perpetuar cada vez mais a nossa cultura, com união, respeito e ética. 

Um grande abraço e boa virada a todos os DJs de verdade!!! 

DJ Astek (Texto escrito por mim, Daniel Nóbrega, também conhecido como DJ Astek)

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Referências: "Todo DJ ja sambou", Cláudia Assef; Filme: "Pump up The Volume", "Scrath - The Move" e a boa e velha wikipedia.