Comecei a frequentar bailinhos, festas americanas ou assustados, como são conhecidos aqui em João Pessoa, desde os 13 anos de idade, mais precisamente no final dos anos 80, começo dos anos 90. Nessa épcoa, assim como em 70, período áureo da disco, era de Barry White, Billy Paul, Donna Summer, Abba, Beegees e tantos outros que assim como no tempo que iniciei minhas baladas, era comum dançar e cantar as músicas que o DJ tocava.
No meu debut baladeiro, vertentes passavam despercebidas, na pista rolavam ícones do Miami Bass, do Electro, do Funk, do Rythm n Blues, algo do naipe Kraftwerk, Afrika Bambaataa, Michael Jackson, Stevie B eram hits estorados em rádios e comerciais de TV e já se misturavam a nomes como Alphaville, Kon kan, Depeche Mode, New Order, Pet Shop Boys e outros new wavers ou synth pop que pouco tempo depois já davam espaço aos freestylers Information Society, EMF, KLF, MC Hammer, Vanilla Ice, Technotronic e vários que bombavam até em trilhas sonoras de novelas. Na maioria das prateleiras de lojas de discos, tudo isso era generalizado e resumido a um único estilo: House.
A primeira casa noturna que freqüentei foi a Palladium Night Club, e a música que marcou e despertou o interesse em ser DJ foi “The Promise”, do When In Home. Os 90s também foram marcados pela ítalo house de Double You, Funfactory, Blackbox, Ice MC, Alexia e até a brasileira Corona, com esses ritmos da noite e todos marcados por belos vocais. Não poderia deixar de citar outros sucessos como Culture Beat, C&C Music Factory, 2 Ulimited, Ace of Base, Captain Hollywood Project, Haddaway, Snap , Gala e nesse boom da dance music, ATB, Gigi D'Agostino já mudavam algumas características desse período preparando o terreno para Lasgo e adjacentes.
Foram tantas coisas boas dessa época que se eu for citar todas, dá pra fazer um livro. Porém, não paro por aqui! Chegamos aos 2000, época do auge das Raves. The Prodigy, Chemical Brothers, Orbital, Altern8 e Daft Punk e Atari Teenage Riot ja dominiavam o planeta e consequentemente alguns estilos começavam a ficar mais conhecidos e segmentados, onde quase tudo era Techno, Trance , Breakbeat, Hardcore, Electro House, Jungle e Drum n Bass, saiam do underground para a mainstream artistas como Richie Hawtin, Jeff Mills, Carl Cox, DJ Hype, Andy C, FatBoy Slim, DJ Marky com sua “Carolina Carol Bela”, Patife com “Sambasim”, Renato Cohen com seu “Pontapé” e Benny Benassi com seu hit “Satisfaciton”. E foi nessa década que comecei a discotecar.
Nessa brincadeira o tempo passou, mas as músicas ficaram eternas, mesmo após os arpégios e synths psicodélicos do psy terem andado também nessa roda gigante maluca que um dia está no alto, outro embaixo, como um ciclo, tudo que foi, acaba voltando, e é o que tenho percebido nesses últimos tempos, nessa nova década, onde a beleza tentou burlar o talento, onde as votações das principais revistas de e-music os “babeiros” rotulados pelos mais críticos estão no topo, mais que eu considero visionários especialistas em dance music com vocais tipo David Guetta, Tiesto, Armin Van Bureen, Edward Maia e tantos outros são os mais tocados pelos DJs de todo o mundo.
Fica a pergunta: Seria a volta da boa música e de tudo aquilo que James Brown e outros gênios iniciaram lá atrás? É tempo de voltar a dançar e cantar?


