quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[TEXTO] 360 Graus


Comecei a frequentar bailinhos, festas americanas ou assustados, como são conhecidos aqui em João Pessoa, desde os 13 anos de idade, mais precisamente no final dos anos 80, começo dos anos 90.  Nessa épcoa, assim como em 70, período áureo da disco,  era  de Barry White, Billy Paul, Donna Summer, Abba, Beegees e tantos outros  que assim como no tempo que iniciei minhas baladas, era comum dançar e cantar as músicas que o DJ tocava.

No meu debut baladeiro, vertentes passavam despercebidas, na pista rolavam ícones do Miami Bass, do Electro, do Funk, do Rythm n Blues, algo do naipe  Kraftwerk, Afrika Bambaataa,  Michael Jackson, Stevie B eram hits estorados em rádios e comerciais de TV e já se misturavam a  nomes como Alphaville, Kon kan, Depeche Mode, New Order, Pet Shop Boys e outros new wavers ou synth pop que pouco tempo depois já davam espaço aos freestylers Information Society, EMF, KLF, MC Hammer, Vanilla Ice, Technotronic e  vários que bombavam até em trilhas sonoras de novelas. Na maioria das prateleiras de lojas de discos, tudo isso era generalizado e resumido a um único estilo: House.

A primeira casa noturna que freqüentei foi a Palladium Night Club, e a música que marcou e despertou o interesse em ser DJ foi “The Promise”, do When In Home. Os 90s também foram marcados pela ítalo house de Double You, Funfactory, Blackbox, Ice MC, Alexia e até a brasileira Corona, com esses ritmos da noite e todos marcados por belos vocais. Não poderia deixar de citar outros sucessos como Culture Beat, C&C Music Factory, 2 Ulimited, Ace of Base, Captain Hollywood Project, Haddaway, Snap , Gala e nesse boom da dance music,  ATB, Gigi D'Agostino já mudavam algumas características desse período preparando o terreno para Lasgo e adjacentes.

Foram tantas coisas boas dessa época que se eu for citar todas, dá pra fazer um livro. Porém, não paro por aqui! Chegamos aos 2000, época do auge das Raves. The Prodigy, Chemical Brothers, Orbital, Altern8 e Daft Punk e Atari Teenage Riot ja dominiavam o planeta e consequentemente alguns estilos começavam a ficar mais conhecidos e segmentados, onde quase tudo era Techno, Trance , Breakbeat, Hardcore, Electro House, Jungle e Drum n Bass, saiam do underground para a mainstream artistas como Richie Hawtin, Jeff Mills, Carl Cox, DJ Hype, Andy C, FatBoy Slim, DJ Marky com sua “Carolina Carol Bela”, Patife com “Sambasim”, Renato Cohen com seu “Pontapé” e  Benny Benassi com seu hit  “Satisfaciton”. E foi nessa década que comecei a discotecar.

Nessa brincadeira o tempo passou, mas as músicas ficaram eternas, mesmo após os arpégios e synths psicodélicos do psy terem andado também nessa roda gigante maluca que um dia está no alto, outro embaixo, como um ciclo, tudo que foi, acaba voltando, e é o que tenho percebido nesses últimos tempos, nessa nova década, onde a beleza tentou burlar o talento, onde as votações das principais revistas de e-music os “babeiros” rotulados pelos mais críticos estão no topo, mais que eu considero visionários especialistas em dance music com vocais tipo David Guetta, Tiesto, Armin Van Bureen, Edward Maia e tantos outros são os mais tocados pelos DJs de todo o mundo.

Fica a pergunta: Seria a volta da boa música e de tudo aquilo que James Brown e outros gênios iniciaram lá atrás? É tempo de voltar a dançar e cantar?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

DEEJAYS CONNECTION

A DEEJAYS CONNECTION é a mais nova festa mensal de música eletrônica em João Pessoa. Idealizada pelo DJ Astek,  o intuito de promover o intercâmbio cultural e profissional entre artistas paraibanos e de outros estados do Brasil, que mais se destacam e trabalham em prol da e-music, mixando idéia e experiências, oferecendo ao público e amantes de baladas de qualidade, a oportunidade de conhecer todas as tendências e novidades de estilos.


DEEJAYS CONNECTION
Sábado, 09/Outubro/23h
Boate Level

Line Up/DJs:

-> CHRISS D (FW ELETRONIC/PACHA FORTALEZA/BLEND) CE
-> THALES HILL (E-NATION FESTIVAL/CASA PUB) AL
-> ONLY2BROTHERS (NANDO DU B + DJ MOSTARDA) PE
-> ASTEK (RESIDENTE/LEVEL) PB
-> VINNY (PB)

+ PROJEÇÕES VISUAIS COM VJs NILL HOUSE, LERO E ANARK
+ SORTEIO DE BRINDES E CDS PROMOCIONAIS
+ DECORAÇÃO EXCLUSIVA

Ingressos: R$20

Informações: 8710-1826(ASTEK)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

[TEXTO] QUAL A FUNÇÃO DO DJ RESIDENTE?






E ai, pessoal? Dando um role pela net, não achei nenhuma informação a respeito, então, começarei explicando qual a função do DJ residente em um club, casa noturna, bar ou boate, como queiram. Antes de tudo, uma residência é normalmente entendida como um espaço de moradia de um indivíduo ou de um grupo. No caso do DJ, é a casa (club, boate, etc) em que ele atua profissionalmente, com vínculo empregatício seja ele através de carteira de trabalho, contrato ou qualquer outro meio que comprove a sua efetividade perante a empresa.

O DJ residente é sempre um dos primeiros funcionários do club a chegar ao local, geralmente entre as 21h30 ou 22h00, dependendo da hora que a casa abra e um dos últimos a sair, por volta das 06h00. Eu sempre chego na Level, nesse horário, no máximo 22h30 e durante esse tempo até a abertura, 23h00, tenho que  checar todos os equipamentos que irei utilizar(CDJ, Mixer, Toca Disco) e fazer a passagem de som, além de dar o suporte para o DJ convidado, quando esse têm que instalar seu próprio set up, com antecedência (muitas vezes deixam pra instalar na hora que vai tocar).

Como residente da Level, tenho que estar todas sextas e sábados e nos dias que a boate abre para festas particulares, geralmente nas terças, quartas e quintas-feiras, totalizando em média semanal uma carga horária de trabalho de 20 a 30 horas, incluindo festas externas. Já tive experiência em dois segmentos da e-music, o underground, quando trabalhei no Hi-Fi, club onde tocava electro clash, techno, breakbeat  e drum’n bass e o mainstrean, no popular Incógnito e atualmente na Level, onde toco várias vertentes da dance e da house music.

Aqui chega o ponto mais polêmico deste texto, caros amigos. É muito fácil para um “guest DJ” ou “DJ convidado” que toca de 1 a 2 festas por mês passar horas e horas pesquisando, para não dizer copiando, os charts das lojas de música ou as top 10 mais tocadas pelos maiores DJs do mundo e simplesmente chegar no dia da festa, no melhor horário e ser “sucesso”.  Mas, quem vai preparar a pista das 23h00 e entregar bombando mais ou menos às 02h00, tendo muitas vezes que tocar o que não gosta abrir mão de seus produtores preferidos ou da linha de trabalho favorita, para incluir no set alguns sucessos descartáveis de rádio? O DJ RESIDENTE!

Quero deixar claro que não tenho nada contra DJ convidado, até porque sempre toco em outros clubs ou festas como guest, convido e tenho muitos amigos que recebo semanalmente na Level. A idéia deste post é unicamente passar pra vocês, para o público, para produtores de festas, para os críticos e principalmente quem gosta de música eletrônica, que o DJ residente é o coração de um club, ele quem dita o ritmo de dança e de consumo da casa, e merece sim, todo o reconhecimento, respeito, nome e foto no flyer.

Abraço e sucesso para todos!
Daniel Nóbrega aka Astek